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Imagem retirada de http://jornalggn.com.br/blog/mate-da-luz/pra-onde-voce-acha-que-vai-o-plastico-do-mundo-julhosemplastico-por-mate-da-luz

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Pra onde você acha que vai o plástico do mundo?


09/08/2017

Uma das mudanças mais profundas que venho tentando fazer nas minhas práticas rotineiras é reformular a relação que tenho com o mundo - minha participação por aqui, o equilíbrio entre a importância e a irrelevância: nem tão desperezível nem super necessária, mas parte de um todo que existe e fim. Com toda a crendice que me é peculiar, confesso, fazer estas movimentações tem demandado energias que são recrutadas em outras esferas, como a profissional, por exemplo. Lidar com a ansiedade em meio a um turbilhão contextual - econômico, social, político - nadando contra a maré da violência externa para promover paz interna, ufa, tem cansado.

Daí que acho que já citei por aqui sobre a preocupação com o lixo que produzimos, porque não existe lá fora e, também acho que já comentado pro aqui, ando me atentando muito sobre a Fe Canna, uma moça jornalista que pe sa e faz muito em relação a isso tudo, indo desde atividades rotineiras até a beleza, esse mercado onde o descratável é quase premissa hoje em dia e, como magia, dou de cara com a newsletter dela deste mês que fala sobre o "Julho sem Plástico", um movimento global que tem pouca força aqui no Brasil mas que eu adoraria promover. Não participei ativamente mas, de qualquer forma, postar e compartilhar há de ser uma forma de expandir a atividade, ainda que em minúscula escala.

Registro aqui o conteúdo do informe dela e, claro, deixo o endereço abaixo para quem desejar se inscrever e receber coisa boa por email:

Hoje eu moro perto do mar. Tenho uma proximidade com a natureza, com o oceano, com as aves e outros animais desse habitat que eu não poderia imaginar vivendo em São Paulo. Dia após dia, posso ver o lixo se misturando com a água, com a matéria orgânica, posso ver as gaivotas devorando sacos plásticos. Não quero te incomodar com números ou imagens terríveis, mas conviver com isso me trouxe um grande incômodo.

Cada vez mais a gente vai ter que se relacionar com o lixo que a gente gera. Já não tem mais espaço no mundo pra que ele fique longe dos nossos olhos. Transformamos nossa casa em uma enorme lixeira e as consequências causam desconforto em todos os aspectos (social, ambiental e econômico). E o plástico é um dos piores tipos de lixo, é um material durável que utilizamos muitas vezes para fazer produtos descartáveis.

Quando a gente olha por aí, tudo parece ser feito de plástico. E não sei se você sabe, mas esse tipo de material não se degrada como os materiais orgânicos, ele permanece no mundo - flutuando nos oceanos ou suspensos na atmosfera em micro pedaços. Provavelmente, todo plástico já produzido continua aqui com a gente. E uma vez que já sabemos disso, é difícil continuar fazendo as coisas do mesmo jeito.

A ideia de reduzir a produção de lixo é fascinante pra mim e eu venho trabalhando ativamente pra diminuir meu rastro no mundo. Então quando fiquei sabendo da campanhaPlastic Free July (ou julho sem plástico, na tradução) achei que seria útil fazer o experimento, com a intenção de fazer alguns esforços extras e ainda falar mais sobre o assunto, encorajar quem está por perto. Mostrar que a dimensão do problema não deve nos paralisar. Fui documentando algumas ações desse mês lá no meu instagram; se você não viu, segue esse link.

Abracei o desafio recusando canudos, copos e talheres de plástico, saquinhos plásticos, produtos embalados e todo resto de materiais plásticos de uso único. Afinal, pra quê comprar água engarrafada se a da torneira também é potável e mais barata? Pra quê usar plástico bolha na mudança se podemos usar nossas roupas para embrulhar tudo? É muita energia e matéria-prima desperdiçada para virar lixo.

É claro que eu tive momentos de frustração, como quando fui em um restaurante novo e ao pedir um chá gelado recebi um canudo já enfiado no copo de vidro. Um dos desafios é estar sempre alerta para recusar aquilo que você não precisa, tentando se adiantar à ação do outro. Mesmo que você consiga fazer isso toda vez, pode se deparar com o "esquecimento" de quem está atrás do balcão, afinal, é um pedido improvável para eles.

Nesse mês, ficou ainda mais evidente para mim que o plástico está assustadoramente em todos os lugares da nossa vida. Ainda que alguns desses plásticos sejam praticamente impossíveis de tirar da rotina, eu percebi que onde a gente menos precisa dele, é onde a gente mais consome rapidamente, fazendo escolhas automáticas. É assim quando vamos tomar sorvete, quando fazemos um piquenique com os amigos, é assim com o cafezinho no trabalho.

Me policiar para não consumir plástico também me fez perceber que às vezes é preciso ponderar as alternativas para fazer a melhor escolha. Apesar de não ser maioria, em algumas situações me deparava com dúvidas como essas: devo escolher uma comida vegana embalada em plástico ou um sanduíche de queijo sem plástico? Compro a fruta à granel que veio de outro continente ou a local e orgânica da bandeja de isopor? Não dá pra se sentir mal com a escolha feita, as respostas não são muito claras em termos ambientais e vão depender muito das nossas crenças e vivências.

O ponto aqui não é ser perfeito, porque provavelmente não vai dar pra reduzir nosso consumo de plástico a zero nem nesse mês, nem no próximo. O movimento é de mostrar que o plástico pode ser a exceção, não a regra na nossa vida. E que uma vez na nossa mão, a gente deveria se encarregar da destinação correta desse material, em vez de jogar na praia ou na rua, achando que assim ele vai entrar em algum buraco mágico e desaparecer, ou de acreditar que a reciclagem será suficiente para desculpar nosso consumo descontrolado.

Se você quiser saber mais motivos pelos quais a gente deveria diminuir nossa produção de plástico, procure assistir ao documentário A Plastic Ocean, disponível no Netflix. E se animar a diminuir sua dependência de plástico, minha dica é que você comece recusando o que é mais fácil pra você. Pode separar uns 10 minutinhos pra olhar pra própria lixeira e fazer uma lista do dá pra abrir mão, se for ajudar. Pensa primeiro no que exige zero esforço, e vai movimentando em direção ao que parece mais complexo, um pouquinho por vez.

Depois me conta como foi sua experiência! Ainda tem muito assunto dentro desse tema pra gente conversar, minha caixa de e-mails tá sempre aberta, é só responder por aqui e seguimos trocando com calma. Se você chegou agora pode ler todas as cartas passadas nesse endereço aqui. Seja bem-vindo/a/@!

Fonte: Jornal GGN, escrita por Matê da Luz

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